Blog da Dual

O comportamento do pasto durante o inverno no Centro-Oeste costuma enganar o olho menos treinado. Para muitos produtores, ver a pastagem amarelada, mas ainda volumosa e de pé, transmite a falsa sensação de que o gado possui alimento suficiente para manter o desempenho. No entanto, é justamente nesse cenário que ocorre o chamado efeito sanfona na pecuária de corte, com a perda invisível do ganho médio diário que foi acumulado com tanto custo no período das águas. A degradação das pastagens durante o período seco não começa pela falta de volume de capim, mas sim pelo colapso de seu valor nutricional. Com a ausência de chuvas e a queda das temperaturas em julho, as plantas reduzem drasticamente o teor de proteína bruta e aumentam a proporção de fibras de difícil digestão, como a lignina. Na prática, o gado consome uma forragem com baixíssima digestibilidade, que permanece por muito mais tempo no rúmen, reduzindo o consumo diário e travando a engorda.

O PAPEL DO NITROGÊNIO NA DIGESTÃO DA FIBRA SECA

Para compreender por que o animal perde peso mesmo com capim disponível, é preciso olhar para a microbiota do rúmen. Os microrganismos responsáveis por digerir a fibra do capim necessitam de nitrogênio para sobreviver e se multiplicar. Quando a proteína do pasto cai para níveis inferiores a sete por cento, a população dessas bactérias benéficas diminui drasticamente por falta de alimento. Sem bactérias suficientes, o processo de digestão fica lento, o capim seco demora para passar pelo trato digestivo e o boi reduz a ingestão voluntária de alimento por estar com o estômago sempre cheio de uma fibra de baixa qualidade. É nesse momento que a suplementação de bovinos no período seco se torna indispensável. O fornecimento de uma fonte proteica externa no cocho devolve o nitrogênio necessário para os microrganismos ruminais, acelerando a taxa de passagem do capim e permitindo que o boi aproveite melhor a energia daquela pastagem seca.

ESTRATÉGIAS DE SUPLEMENTAÇÃO DE ACORDO COM O CUSTO-BENEFÍCIO

A escolha do suplemento adequado depende do objetivo de ganho de peso estabelecido para cada categoria do rebanho no planejamento da fazenda. Existem três caminhos principais para a suplementação no período seco:

O sal ureado é a alternativa de menor custo e serve principalmente para a manutenção do peso dos animais, evitando que o gado perca as arrobas ganhas nas águas. Ele fornece nitrogênio não proteico de liberação rápida no rúmen, permitindo o aproveitamento mínimo da fibra seca.

O suplemento proteico de baixo consumo, formulado para uma ingestão programada de zero vírgula um por cento a zero vírgula dois por cento do peso vivo do animal, é a escolha ideal para recria. Ele estimula o rúmen e fornece proteína verdadeira, garantindo um ganho de peso moderado e constante de duzentos a quatrocentos gramas por dia.

O suplemento proteico-energético de médio a alto consumo, com ingestão de zero vírgula três por cento a zero vírgula cinco por cento do peso vivo, é indicado para animais que serão encaminhados para a terminação ou que precisam de uma engorda rápida antes do confinamento. Essa estratégia exige um aporte equilibrado de energia e aminoácidos de alta digestibilidade.

A IMPORTÂNCIA DA QUALIDADE DOS FARELOS NA FORMULAÇÃO

Para que qualquer uma dessas estratégias de suplementação funcione na prática, a qualidade física e química das matérias-primas utilizadas na mistura é o fator decisivo. O rúmen necessita de fontes estáveis e limpas de proteína verdadeira para que a digestão não sofra interrupções.

O uso de ingredientes de qualidade duvidosa ou que passaram por processamento inadequado reduz drasticamente a eficiência da suplementação. Farelos de soja ou de algodão que apresentam variações constantes de teor proteico ou problemas de armazenamento geram flutuações no ambiente ruminal, impedindo que o gado atinja o desempenho esperado.

É por isso que a utilização de farelos nobres, como o Farelo de Soja HIPRO 48 por cento ou o Farelo de Algodão 38 por cento da Dual, faz toda a diferença na composição da ração. Esses insumos passam por um controle de qualidade industrial rígido, que assegura o teor exato de nutrientes descrito no laudo técnico e garante que a fórmula calculada no computador seja exatamente o que o gado vai consumir no cocho.

PREVISIBILIDADE E PLANEJAMENTO DE ESTOQUE NO INVERNO

O sucesso da suplementação de bovinos no período seco não depende apenas da escolha da fórmula teórica, mas sim da constância do fornecimento no cocho. O rúmen do animal necessita de estabilidade diária. Qualquer atraso na entrega do farelo ou mudança abrupta na qualidade do lote exige uma nova adaptação das bactérias digestivas, interrompendo o ritmo de ganho de peso do gado por vários dias e gerando prejuízos.

Por essa razão, o planejamento de estoque em julho é o fator que diferencia as fazendas lucrativas daquelas que apenas cobrem os custos operacionais. Garantir contratos de abastecimento programados com parceiros agroindustriais de confiança, que assegurem o fornecimento regular e o laudo técnico constante dos farelos durante toda a entressafra, é a ferramenta definitiva para blindar o seu resultado zootécnico contra as oscilações climáticas do inverno.